Pesquisa aponta o Brasil como país mais visado para ataques cibernéticos
O Brasil se consolidou como líder absoluto em ataques cibernéticos na América Latina, conforme destaca o relatório “Cenário Global de Ameaças” do FortiGuard Labs, apresentado durante o Fortinet Cybersecurity Summit Brasil 2025. No primeiro semestre do ano, o país foi alvo de 314,8 bilhões de tentativas de ataques digitais, o que corresponde a impressionantes 84% de todas as investidas registradas na região, que somaram 374 bilhões.
Brasil é o principal alvo de ataques cibernéticos do planeta
Esse volume expressivo coloca o Brasil no mesmo patamar dos maiores mercados internacionais em termos de ameaças cibernéticas, elevando a urgência de estratégias eficientes de segurança. No período analisado, foram identificadas mais de 41,9 milhões de atividades relacionadas à distribuição de malwares, softwares maliciosos destinados a roubar dados ou causar danos, e 52 milhões de ações envolvendo botnets, que são redes de equipamentos contaminados controlados remotamente por hackers para ataques em larga escala.
O estudo detalha a cadeia de destruição cibernética, analisando cada etapa dos ataques, desde o reconhecimento até o impacto final. A fase inicial revelou 1 bilhão de tentativas de ataques por força bruta e 2,4 bilhões de explorações de vulnerabilidades em sistemas. Durante a etapa de entrega, ocorreram 4 milhões de tentativas de downloads maliciosos não solicitados, incluindo 662 mil arquivos infectados. Na fase de instalação, foram detectados 12 milhões de trojans, malwares disfarçados de programas legítimos, e 67 mil tentaativas de mineração não autorizada de criptomoedas (CryptoMiner).
Já na fase final, de ação e objetivos, o Brasil enfrentou 309 bilhões de tentativas de ataques de negação de serviço (DDoS), que visam derrubar sistemas, e 28,1 mil incidentes de ransomware, malware que criptografa dados e exige resgate para liberar o acesso.
Alexandre Bonatti, vice-presidente de Engenharia da Fortinet Brasil, comentou que 98,11% das atividades maliciosas detectadas no país estão ligadas às fases de impacto final, demonstrando que os ataques são cada vez mais direcionados, rápidos e voltados para a interrupção de serviços ou extorsão, enquanto somente 1,01% correspondem ao acesso inicial. Isso evidencia um cenário onde a prevenção precisa ser acompanhada de respostas ágeis para conter os efeitos.
As principais vítimas são empresas de médio e grande portes, mas usuários comuns também são explorados, muitas vezes como porta de entrada para atingir alvos maiores, sobretudo por meio de phishing e engenharia social. Diante desse cenário, especialistas recomendam que a proteção combine educação, processos e tecnologia, com atualização constante de sistemas e adoção de soluções integradas de segurança, incluindo inteligência artificial para identificação automática de ameaças.