É seguro carregar o celular em locais públicos? Saiba mais

Carregar o celular em tomadas públicas comuns, como as encontradas em aeroportos, shoppings ou cafés, é considerado seguro pela maioria dos especialistas em cibersegurança, pois essas conexões elétricas transmitem apenas energia, sem capacidade de acessar ou transferir dados do aparelho, similar ao que ocorre em casa com um carregador de parede padrão.

O verdadeiro risco reside nas portas USB públicas, presentes em quiosques de recarga gratuitos, que combinam fornecimento de energia com a função de transferência de dados, criando uma vulnerabilidade explorada por criminosos cibernéticos.​

Golpes comuns em locais públicos

O golpe conhecido como “juice jacking” (ou “roubo de suco”, em tradução literal) é o principal perigo: hackers modificam essas portas USB instalando hardware malicioso, como uma CPU escondida no dispositivo, que simula um “aperto de mão” (handshake) entre o celular e o terminal. Isso ativa a troca de informações sem consentimento do usuário, permitindo o roubo de contatos, fotos, senhas bancárias, histórico de navegação ou a instalação de malware que monitora o dispositivo remotamente e pode espionar dados sensíveis por semanas.

Alertas do FBI, da FTC (Comissão Federal de Comércio dos EUA) e da Kaspersky Lab reforçam que esses ataques ocorrem em locais movimentados como aeroportos, hotéis e rodoviárias, onde é fácil plantar o malware sem ser notado.​

Cabos USB abandonados ou “emprestados” em bancos públicos representam outro vetor de risco, pois podem conter chips embutidos que injetam vírus diretamente no smartphone. Especialistas como Caleb Barlow, da IBM Security, comparam conectar um cabo desconhecido a “usar uma escova de dentes encontrada na rua”. Mesmo que o terminal pareça legítimo, o processo pode infectar o aparelho com ransomware, que bloqueia arquivos e exige resgate, ou spywares que capturam credenciais financeiras.​

Para se proteger de forma eficaz, a recomendação unânime é evitar USBs públicas e optar por soluções seguras:

  • Use seu próprio carregador de parede conectado a tomadas elétricas convencionais.
  • Prefira baterias portáteis (power banks) carregadas previamente em casa.
  • Em emergências, utilize cabos “charge only” (que bloqueiam dados) ou adaptadores “data blocker”, disponíveis em lojas de eletrônicos.
  • Desative a transferência de dados no celular antes de conectar (modo avião ou configurações USB) ou desligue o aparelho completamente — embora isso não elimine 100% os riscos.

Essas práticas, endossadas por agências como o FBI e empresas de segurança como a Kaspersky, minimizam exposições desnecessárias e preservam a integridade dos dados em viagens ou saídas prolongadas.​