Neurociência revelou dicas para tornar o celular menos viciante

O uso excessivo de smartphones ativa no cérebro mecanismos de recompensa similares aos observados em comportamentos viciantes, como jogos e consumo de açúcar, segundo estudos em Neurociência. O neurologista Baibing Cheng, da Universidade de Michigan, explica que o vício em celulares transcende o hábito, afetando diretamente o funcionamento cerebral.

A dopamina, neurotransmissor ligado às sensações de prazer e recompensa, é estimulada ao se visualizar cores vibrantes nas telas, como vermelho e azul, ativando áreas cerebrais relacionadas à atenção e ao desejo. Uma das estratégias recomendadas para reduzir essa ativação constante é tornar o celular visualmente “entediante”, por exemplo, ao ativar o modo preto e branco (grayscale), que diminui os pequenos picos de dopamina que mantêm o cérebro atraído ao aparelho.

Outras dicas para diminuir o vício no celular

Outra tática para combater o vício é aumentar a dificuldade de acesso aos aplicativos mais viciantes, colocando-os em telas secundárias, saindo das redes sociais ao terminar de usá-las ou utilizando aplicativos que criam microatrasos na abertura. Esses pequenos obstáculos permitem ao córtex pré-frontal, área responsável pelo controle dos impulsos, interromper o uso automático e ajudar a pessoa a usar o aparelho de forma mais consciente.

Por fim, é recomendado substituir o ato automático de pegar o celular por práticas que acalmem o corpo e a mente, como respiração profunda, alongamento ou caminhada. Isso ajuda o cérebro a associar esses momentos a sensações de tranquilidade em vez de estimulação constante.

O neurologista ressalta que o objetivo não é abandonar o celular, mas reeducar o cérebro para encontrar prazer sem depender de estímulos contínuos de dopamina, ensinando a usar o aparelho de maneira saudável e equilibrada.

Essas medidas práticas têm como base evidências científicas de que o uso compulsivo do celular pode levar à diminuição da atividade em áreas cerebrais de controle emocional e tomada de decisão, gerando impulsividade, ansiedade e outros problemas emocionais.

Assim, a conscientização e o uso de estratégias comportamentais são essenciais para controlar a dependência do smartphone e promover a saúde mental e o bem-estar.​